Pessoas, o Ativo Chave e Diferenciador da Transformação Digital

A transformação digital é a revolução organizacional da 3ª década do séc. XXI. Resulta do impacto da acelerada evolução digital aplicada já não apenas aos negócios, mas a todo o ecossistema socioeconómico, em combinação com a sabedoria humana. E, assim, se entra numa era marcada por uma cultura de disrupção e mudança, que estabelece um novo normal.

A relevância das características humanas

Ora, por um lado é verdade que a transformação digital conecta pessoas, tecnologias e ideias. Contudo, por outro, ainda é mais verdade que as pessoas são o seu ativo mais precioso e determinante, por algumas das características que encerram e determinam o seu sucesso:

  1. criatividade, imaginação, intuição, emoção e ética, as quais apenas existem no ser humano e são fundamentais para se transcender a tecnologia;
  2. capacidade de liderança e de agregar vontades, exclusivas ao homem, que contribuem para fazer acontecer;
  3. e coletivamente, a fusão entre People Power + People Will + People adaptation speed to change + People ability to build upon holistic knowledge está a gerar a era transformacional mais veloz da história humana.

Logo, num mundo crescentemente dominado pela IoE (internet of everything) e onde produtos e serviços se aproximam de um nível muito bom ou excelente, a inovação e a diferenciação dependem, sobretudo, de um fator: as pessoas.

O papel central do Marketing e Comunicação para se transcender e agregar valor à tecnologia …

Portanto, despertar as competências únicas das pessoas e uni-las em torno de objetivos comuns, é, mais do nunca, uma prioridade.

As organizações que mais depressa conseguirem colocar em sintonia os seus colaboradores e stakeholders, são as que melhor conseguem viver nesta era da transformação digital.

O marketing e a comunicação reforçam, assim, o seu papel no sucesso da transformação digital, uma vez que importa capacitar pessoas e organizações para:

  • de forma rápida assumirem a cultura de disrupção e mudança, como o novo normal;
  • ao mesmo tempo, conseguirem transcender e agregar valor e diferenciação àquilo que a tecnologia, em todas as suas dimensões, lhes entrega;
  • inovar mais rápido, colaborar mais eficácia e construir valor com menos esforço;
  • elevar o valor da experiência e estreitar laços emocionais com clientes e stakeholders.

…bem como para ajudar as pessoas a reconhecer os benefícios desta nova era…

Os líderes e os responsáveis de marketing e comunicação têm de definir estratégias para que pessoas e organizações interiorizem esta nova cultura, comunicando os benefícios que individualmente se podem retirar. Mudar implica, sempre, reconhecer um novo caminho como melhor e em que a tecnologia, enquanto meio, oferece múltiplas vantagens como:

  • democratiza o acesso à comunicação e à informação, em qualquer altura ou lugar. Tem o poder de nos manter ligados, mesmo em momentos como foi o da pandemia, por melhorar a partilha de informação, a transparência e um acesso mais seguro, global e em tempo real à mesma;
  • promove a colaboração contínua ou seemless collaboration, que inclui o teletrabalho, reduzindo viagens e a pegada ambiental, entregando mais tempo aos colaboradores;
  • oferece mais conhecimento, ao melhorar a recolha e o processamento de dados, o que permite decisões mais inteligentes, gerar mais competitividade e rendimento. Um estudo do The Boston Consulting Group já há muito mostrou que as empresas na vanguarda da utilização de meta dados geram 12% mais rendimento;
  • contribui para eliminar o erro humano, o que aumenta a confiança dos colaboradores;
  • aumenta a eficiência e a produtividade, libertando as pessoas para tarefas mais desafiantes e de valor superior;
  • maior satisfação dos clientes, porque automatizar processos e self-service, permite os colaboradores dedicarem tempo aos que carecem de apoio real. Isto, reforça o valor percecionado da relação humana, para clientes e colaboradores.
  • eleva a satisfação e a experiência global dos colaboradores, ao dar mais flexibilidade, agilidade e liberdade e que lhes permite melhorar o equilíbrio trabalho/vida pessoal.

Assim, a tecnologia, beneficia a sustentabilidade do ecossistema, por reduzir o desperdício, permitir decisões informadas e uma gestão mais racional dos recursos, tanto a nível pessoal e empresarial.

…visando atingir um estado permanente e saudável de transformação organizacional!

Como se percebe, a transformação digital não é, então, uma meta em si. Ela consiste em se dotar a organização de uma postura natural de mudança e disrupção, para atingir um estado permanente e saudável de transformação organizacional. E os eixos do caminho não são novos, apenas tudo é mais exigente e premente, continuando a requerer:

  1. lideranças fortes, geradoras de engagement e motivação;
  2. uma comunicação omnichannel, inteligente e ágil que eleva a perceção de valor;
  3. a construção de relações emocionais fortes e a oferta de experiências únicas a clientes e a colaboradores;
  4. comprometer e envolver parceiros com papel ativo na diferenciação das organizações, gerando ciclos de co-criação com clientes, fornecedores, colaboradores e terceiros;
  5. práticas de sustentabilidade mais exigentes, que antecipem e mitiguem impactos.

Em suma, a tecnologia é o instrumento desta cultura de disrupção e mudança, as pessoas representam o porquê e influenciam o como e o quando. O marketing e a comunicação são as ferramentas para sintonizar e articular as partes, visando potenciar os benefícios deste novo normal. E nada disto vai apenas acontecer no futuro, porque já há muito se iniciou!